O jogo, qualquer jogo, é um momento especial, onde sociabilidade, aprendizado
e ação criativa se encontram. E o roleplaying game é ainda
mais especial, dada a sua complexidade que permite que se aproxime da realidade
mais do que qualquer outra forma de jogo. Representando os PCs e NPCs assumimos
características nossas que dificilmente conseguiríamos revelar
diretamente, sem subterfúgios para "carregá-las" por
nós. Dessa forma o RPG é um escape para pessoas tímidas
expressarem melhor seus desejos, já que aqui a censura imposta pelo meio
é bastante baixa. No roleplaying uma história complexa e emotiva
está de fato sendo vivida. Aliviam-se as tensões desligando-se
na medida do possível da realidade concreta e de sua repressão,
levando as pessoas a deixarem suas emoções e sentimentos reprimidos
revelarem-se.
O RPG pode ainda contribuir desenvolvendo nas pessoas o hábito
de agir criativamente, e fazendo-as entender através dos personagens
que o ser humano é complexo. Pensar dessa forma ajuda a desenvolver uma
atitude tolerante para com as pessoas e para consigo mesmo. Na escola o uso
do RPG seria uma boa maneira de fazer os alunos entenderem o contexto que envolve
o que estão aprendendo. Poderiam ser representados, por exemplo, em uma
aula de geografia, um encontro entre um jovem da periferia e um jovem de classe
média.
Através do uso dos personagens as pessoas conseguem desenvolver muito
mais seu potencial, já que no cenário do jogo todos são
personagens e não existe a censura do meio real. Não é
preciso preocupar-se com as conseqüências da mesma forma que no meio
real, pois apesar das emoções vividas na seção de
jogo serem reais os fatos e personagens representados no RPG são componentes
de uma história abstrata que vai acabar quando a seção
chegar ao fim.